Belém (PA) e São Luís (MA), entre outras cidades históricas brasileiras, têm as suas paisagens urbanas decoradas com ricos exemplares de azulejos, como afirma Nina Matos, artista visual, gestora cultural e curadora.
A história de azulejos em Belém do Pará

Como surgiram as paisagens urbanas de azulejos em Portugal?
Foto: Detalhe de azulejo em Porto, Portugal

Belém (PA) e São Luís (MA), entre outras cidades históricas brasileiras, têm as suas paisagens urbanas decoradas com ricos exemplares de azulejos, como afirma Nina Matos, artista visual, gestora cultural e curadora: “Belém é uma das cidades brasileiras que possui uma riqueza muito grande em exemplares de edificações com azulejos que sofreram forte influência de países europeus, especialmente, de Portugal”.
Foto: Detalhe de azulejo em edificação de São Luís, Maranhão

Foto: Edificação no Centro Histórico de São Luís (MA)

Vale ressaltar que o Centro Histórico da capital maranhense de São Luís, possui o título de Patrimônio Cultural Mundial, concedido pela Unesco em 1997.
Foto: Detalhe de azulejo em edificação de Belém, Pará

Os casarões do bairro de Cidade Velha, em Belém e determinados bairros e interiores de patrimônios religiosos sempre chamaram a atenção dessa artista visual, como ela pondera: “Os patrimônios religiosos, datando desde o século XVIII, a azulejaria de vários estilos, cores, texturas e nacionalidades, com a predominância de azulejos portugueses, além de embelezar as fachadas, tinham a função também de amenizar o calor e isso para Belém é super importante”.
Foto: Nina Matos na Universidade de Coimbra, Portugal

Mas também, a artista relata: “Lamentável a falta do cuidado e conservação desse patrimônio, quando vemos muitos casarões abandonados com suas fachadas em azulejos destruídas. Um apagamento da nossa memória e falta de visão de governantes e empresários locais em manter esses exemplares, que embelezam e atraem o turismo para a nossa cidade”.
Ainda, segundo Nina Matos, existe em Belém, a maior colecionadora de azulejos da Região Norte, a Rosa Lúcia Soares, que já encontra-se em idade avançada. Ela é detentora da maior coleção de azulejos importados de Portugal dos séculos XVIII a XIX, como também de muitos exemplares importados da França, Holanda, Inglaterra, Espanha, Alemanha e Bélgica, que revestiram algumas edificações de Belém. A Coleção iniciou através de compra em leilões pelo pai da Rosa, que era de origem portuguesa, e ampliada por ela ao longo de anos, também através de leilões e de garimpo nas demolições de casarões históricos nos anos 70 em Belém, de onde salvou de ir para o lixo, vários belíssimos exemplares.
Nina tem forte ligação com Portugal, pois seu avô era português, de Vila Nova de Gaia, portanto “tenho um carinho especial por esse país e no ano passado, passei uns dias em Portugal, conhecendo a cidade natal do meu avô, depois a Cidade do Porto, a de Coimbra onde meu sobrinho cursa mestrado em sua célebre Universidade e ficando um tempo maior em Lisboa, onde mergulhei na arte e na gastronomia . Portugal faz parte de minhas memórias mais afetuosas”, lembra a artista.
Foto: Nina com o sobrinho na Universidade de Coimbra, Portugal

Sobre as cidades de Portugal por onde Nina visitou, comemora: “posso destacar a beleza que salta aos olhos dos casarios com azulejaria da Cidade do Porto, belos e imponentes, bem preservados que respiram história e os ambientes internos da Universidade de Coimbra, ricamente adornados de azulejos decorados. Portugal preserva o seu patrimônio e suas características arquitetônicas, um exemplo a ser seguido por Belém, antes que perca mais exemplares de sua arquitetura secular que privilegiou as belíssimas fachadas de seus casarões com revestimento em azulejaria”.
Como surgiram os azulejos em Portugal?
Além dos vinhos, Portugal é tambén conhecido pelos belos azulejos que decoram as construções e ruas das suas cidades. Os azulejos começaram a aparecer no século XIV trazidos da Espanha, quando iniciou a produção em série naquele país.
Azulejo é uma peça produzida em cerâmica de pouca espessura, geralmente no formato quadrado e uma das faces é coberta de esmalte, sendo impermeável e brilhante que pode ser em única cor ou policromia, lisa ou em relevo. Hoje, o azulejo é considerado como uma das produções mais originais da cultura portuguesa.
A partir do século XIX, os azulejos ganham mais visibilidades, uma vez que surgem nas fachadas dos edifícios que foram aplicados até o início do século XX por todo o país, criando-se uma nova paisagem urbana. Nessa época, a produção de azulejo é intensa e surgem fábricas em Lisboa, Porto e Aveiro. A originalidade da utilização do azulejo português e o diálogo que este estabelece com outras artes e com o espaço onde é colocado faz dele um caso unico no mundo.


