Arte marcial Karate-do em Manaus

No Tyouju Matsuri, um dos eventos mais esperados pela comunidade nipo-brasileira e fãs dessa cultura no município de Maues (AM), realizado em junho do corrente ano, o Amazonas Shinshukan viajou de Manaus especialmente para realizar a demonstração daquela arte marcial e recebeu calorosos aplausos da platéia ali presente.

Karate no Amazonas

Uma tradição divulgada pelo Amazonas Shinshukan

Foto Yuri Pereira: Olga Bragança (1° Dan), Afremon Bragança (8° Dan) e Eliaquim Neves (3° Dan)

Em eventos ligados à cultura nipônica, além das apresentações culturais como dança, Origami (dobradura de papel), Ikebana (arranjo floral), cerimônia de chá e muitos outros, podemos apreciar também a demonstração de artes marciais. No Tyouju Matsuri, um dos eventos mais esperados pela comunidade nipo-brasileira e fãs dessa cultura no município de Maues (AM), realizado em junho do corrente ano, o Amazonas Shinshukan viajou de Manaus especialmente para realizar a  demonstração daquela arte marcial e recebeu calorosos aplausos da platéia ali presente. Seu representante, Afremon Bragança, comemora: “Ficamos muito felizes em participar do Matsuri de Maués representando a Shinshukan para apresentar o Karate em um evento muito especial“.

Veja o comentário do Afremon Bragança sobre o Matsuri

HISTÓRIA DE KARATE NO BRASIL

A imigração japonesa no Brasil iniciou com a chegada da primeira leva de japoneses no navio Kasato Maru que aportou em Santos (SP) e nomes como Mitsusuke Harada e Shikan Akamine são apontados como introdutores dessa arte marcial no terriotório brasilero. O mestre Yoshihide Shinzato desembarcou no Brasil em 15 de janeiro de 1954 e realizou a demonstração de Karate no Parque Ibirapuera em 25 do mesmo mês, em homenagem ao aniversário de 400 anos da cidade de São Paulo e em[a1]  junho de 1962 abriu o seu primeiro Dojo (palavra japonesa que indica o local de treinamento da arte marcial), em Santos (SP). Após aqueles, seguiram, Juichi Sagara, Akira Taniguchi, Koji Takamatsu, Higashino, Sadamu Uriu, Yasutaka Tanaka, entre outros.

Após, em 1964, foi fundada a acalentada Federação de Karate de São Paulo, tornando-se a primeira organização oficial desse desporto no país e logo, em 1965 foi constituida a Confederação Brasileira de Karate. Hoje, o Karate é uma das artes marciais mais praticadas no país, com milhares de alunos espalhados por todo o território. O Brasil já revelou campeões mundiais e olímpicos deste desporto, como Douglas Brose, Valéria Kumizaki e Lucélia Ribeiro.

O KARATE NO AMAZONAS

Maués e Parintins foram os municípios onde instalaram os imigrantes japones pioneiros no Estado do Amazonas. O Pará era o único destino desses imigrantes para o norte do país, acordado entre Brasil e Japão. Preocupado em criar alternativas econômicas para o Amazonas, o então governador Ephigenio Salles interferiu nessa política migratória, possibilitando em 1930 a chegada dos japoneses a Maués que passaram a se dedicar posteriormente, com sucesso, ao cultivo do guaraná. Logo em seguida chegaram a Parintins o primeiro grupo de Kotakusei (denominação dada aos estudantes da escola Kokushikan Koutou Takushoku Gakko – Escola Superior de Colonizalçao Kokushikan).

No início dos anos 60 chegava a Manaus o argentino Alberto Dias Goldfarb, faixa preta 1º Dan, aluno de Shoei Miyazato, acompanhado de dois companheiros também faixas pretas de Shorin Ryu Karate Do e se instalaram na antiga sede do Nacional Futebol Clube, no centro de Manaus. Alguns anos depois Alberto Dias deixa Manaus rumo ao Rio de Janeio e lá  viveu e chegou a publicar um livro “Karate – Segredos Científicos da Defesa Pessoal”.

No início da década de 70 verificam-se atividades em prol do Karate pelos professores Armando Jimenes, Eurico (aluno do professor Benedito Nelson Augusto do Rio). Benedito Nelson foi o primeiro brasileiro a ser graduado Faixa Preta e que criou a Hien Karate Kyokai e um de seus braços no Amazonas foi a Associação Hien Kan que teve por décadas o comando do professor Hilário da Costa Santos.

Outro professor que contribuiu muito para o Karate amazonense foi Teruo Furusho, que contribuiu grandemente com o Shotokan local, principalmente com ensinamentos de arbitragem através de cursos por solicitação da Federação Amazonense de Karate.

Em 1966 surge o Kyokushin-Kai, através do professor Kazuteru Noguchi que se instala na sede da União Esportiva Portuguesa da cidade.

FEDERAÇÃO AMAZONENSE DE KARATE (FAK)

Kazuteru Noguchi participou da fundação da Federação Amazonense de Karate, em novembro de 1974 e se tornou o seu primeiro presidente.

Após a posse como terceiro presidente, Danilo Trindade, incentivou os praticantes de Karate a entrar no circuito competitivo que na época era apenas o Campeonato Brasileiro, dividido em três fases: Zonal Norte/Nordeste, Zonal Centro/Sul, ambas classificatórias e Fase Final.

Com apenas três atletas: Afremon Bragança, Álvaro Simões Filho e Delcimar José Magalhães. Danilo, por motivos alheios à sua vontade, não terminou o seu mandato, deixando para o seu Vice-Presidente Afremon Bragança concluí-lo, que foi eleito por mais alguns mandatos para FAK.

Por sugestão do Presidente da Confederação, Manaus passou a convidar alguns atletas da seleção brasileira como Sergio José dos Santos, aluno de Yoshihide Shinzato. Serjão, como era chamado, Campeão Nacional e Internacional com títulos sul-americanos, idealizou a Copa Internacional Amazônica de Karate, para promover intercambio. E esse programa de aperfeiçaomento e difusão do Karate continuou com os demais presidentes eleitos e Karatecas, entre outros.

SHINSHUKAN SÃO PAULO

Após o falecimento do Grão-Mestre, a liderança da Shinshukan foi passado para seu filho, Masahiro Shinzato. Nascido em Okinawa em 1950 e desde 1962 dedicou-se ao Karate. O mestre Shinzato não apenas manteve a tradição, mas também contribuiu significativamente para o desenvolvimento do Karate no Brasil, pois ocupou cargos como presidência da Federação Paulista de Karate, sendo promovido 9º Dan em 2007. Em 2024, o Mestre faleceu, mas seu legado de dedicação ao Karate-Do e à Shinshukan permanece como inspiração para todos. Hoje, a Shinshukan, sob a liderança do professor Mitsuhide Shinzato, segundo filho do Mestre Shinzato, segue firme em sua missão de promover o Karate-Do e do Kobu-Do, honrando as profundas tradições de Okinawa.

SHINSHUKAN AMAZONAS

Um dos pioneiros do Karate no Amazonas, o Afremon Bragança, é um dos faixas pretas mais graduado desta modalidade no Estado, sendo 8º dan pela Confederação Brasileira de Karate e pela Shinshukan. Sua relação com essa arte teve início em 1975, quando tinha 16 anos, graças a um amigo, que era faixa laranja no estilo Shotokan. Sempre interessado, lia atentamente as publicações e procurava aprender as técnicas. Algum tempo depois, conheceu o Karate Shorin-ryu Shinshukan, do Grão-mestre Yoshihide Shinzato e se encantou com a diversificação das técnicas e logo se graduou faixa preta. Começou a dar aulas na Associação Recreativa dos Servidores do Ensino Estadual, onde assumiu a diretoria de esportes. Assim foi o começo de uma jornada que perdura até hoje. Disputou poucos eventos, pois na maioria das vezes atuou como árbitro em torneios promovidos no Amazonas. Professor Afremon presidiu a Federação Amazonense por vários mandatos e é membro da Banca Examinadora de Faixas Pretas. Deixou a presidência da Federação do Amazonas para dedicar-se integralmente à causa do Shorin – Ryu Karate-Do, através de sua escola Amazonas Shinshukan, acompanhado de seus 3 filhos, Yuri Pereira Bragança (4° Dan), Olga Pereira Bragança (1° Dan) e Ulric Pereira Bragança (5° Kyu); dos quais hoje são peças essenciais na difusão do Karate no estado. A professora Disney do Nascimento Pereira, mãe do Yuri, Olga e Ulric Bragança, é uma das mulheres mais graduadas do Karate no Brasil, sendo 8° dan no estilo Shorin-Ryu Shinshukan (CBK). Também é 4° dan em kickboxing. Sagrou-se inúmeras vezes campeã estadual, do Norte e Nordeste, Brasileira e do Mundialito (Escola Shinshukan), sendo assim, uma das pioneiras na implantação do karate competitivo no Amazonas, entre muitos outras qualidades e premiações.


Rosa Kamada

Rosa Kamada

Rosa Kamada é brasileira, “papa-chibé” e descendente de japoneses, graduou-se em Arquitetura e Urbanismo e Comunicação Social – Jornalismo e concluiu o curso de Mestrado em Engenharia Ambiental na Universidade de Osaka, Japão. Tem como hobby fotografar e viagem, assim como leitura e escrita, colabora com as imprensas local, nacional e internacional, produzindo matérias jornalísticas e reportagens publicadas em revistas do eixo Rio–São Paulo e no Japão. Atuou também como correspondente do jornal de São Paulo (SP).
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