“Dias 26 e 27 de setembro, esperamos por vocês em um grande festival, o 4º Shima Matsuri ou o 4º Festival da Ilha”, exclama Elizeu Inomata, presidente da Associação Nipo-Brasileira de Parintins, no município amazonense. Essa Associação celebra 35 anos de fundação da Associação e 95 anos da imigração japonesa no Amazonas no corrente ano …
Realização do 4º Shima Matsuri em Parintins

A trajetória da imigração japonesa em Parintins
“Dias 26 e 27 de setembro, esperamos por vocês em um grande festival, o 4º Shima Matsuri ou o 4º Festival da Ilha”, exclama Elizeu Inomata, presidente da Associação Nipo-Brasileira de Parintins, no município amazonense. Essa Associação celebra 35 anos de fundação da Associação e 95 anos da imigração japonesa no Amazonas no corrente ano e para comemorar a passagem da data, a entidade nipo-brasileira realizará o 4º Shima Matsuri, nos próximos dias 26 e 27 de setembro, com oficinas de dobradura de papel (Origami) e caligrafia japonesa (Shodo), concurso de desenho (Manga) e Cosplay voltados aos jovens, bem como exposição de produtos e muitos outros.
Foto: Presidente Elizeu

Parintins é conhecida mundialmente pelo Festival de Parintins (Bois Caprichoso e Garantido) que acontece anualmente em junho quando o município se transforma transbordando de pessoas por toda parte. Mas o município também foi a terra selecionada, ao lado de Maués, para a entrada dos primeiros imigrantes japoneses ao estado do Amazonas. Em 1931, chegava em Parintins o primeiro grupo de Kotakusei (denominação dada aos estudantes da escola Kokushikan Koutou Takushoku Gakko – Escola Superior de Colonizaçao Kokushikan).
Durante o período de Festival de Parintins, o presidente da Associação Nipo-Bras. de Parintins, Elizeu Inomata se torna bastante atarefado com a administração do restaurante Yakiniku e a churrascaria próximo ao porto do município, especialmente esse último devido sua localização.

A Associação Nipo-Bras. de Parintins, fundada em 1991, hoje, tem sede própria no bairro de Jacareacanga e busca a preservação e valorização da cultura e história da imigração japonesa em Parintins e região, conforme o presidente Elizeu.
Essa Associação de Parintins é coordenada pela diretoria eleita em assembléia geral, cujo presidente é o Elizeu. O presidente Elizeu é Nissei (segunda geração de japoneses), natural de Óbidos (PA). O pai japonês, nascido na província de Hokkaido, chegou a Vila Amazônia, em Parintins, no ano de 1934, acompanhando uma das turmas da imgração japonesa no Amazônia, ou seja, os Koutakuseis. A família Inomata teve 11 filhos, dentre, hoje são nove, residindo em Parintins, Manaus (AM), Santarém (PA) e Japão. Elizeu abriu seus restaurantes em 2014, após viver no total 19 anos como dekassegui no Japão.
Sobre os desafios de manter viva a cultura nipônica em terras amazônicas, o presidente Eilizeu comenta: “maior desafio é que os descendentes nipo-brasileiros, infelizmente, não mostram maior interesse pela cultura japonesa, então em nossos eventos a grande maioria são brasileiros sem ascendência japonesa”.
Uma das imigrantes japonesas mais longevas de Parintins, Nair (nome de batismo) Hisako Toguchi, hoje com 98 anos, casou-se com Tsuneji Toguchi, Kotakusei, em Monte Alegre (PA) onde morava a família da Hisako Tsunematsu.
Tsuneji, natural de Saitama – Japão, nascido em 1914, chegou solteiro ao Brasil e formou família com a Hisako, japonesa, natural da província de Miyazaki. Tsuneji imigrou para Vila Amazônia em 1933 e lá cultivou primeiramente arroz e depois de algum tempo, juntamente com Utyu Yassui e Taro Yamazaki, passaram a trabalhar na varzea. Naquela localidade denomidada São Joaquim, à margem do Rio Amazonas, plantaram juta, criaram gado e abriram comércio de produtos regionais e alimentícios, onde fundaram o Comércio e Navegação São Joaquim Ltda. Após algum tempo, Tsuneji mudou-se pra Parintins dando inicio a um empreendimento individual, a Casa Sony. Ele faleceu em 1986, aos 71 anos. A sua companheira Hisako deu continuidade aos negócios que por sua vez foi repassada a administração ao filho mais velho, Otoniel. O segundo filho de Hisako, Sony é medico e a filha Emi é farmaceutica-bioquimica.
“Depois de 50 anos, ela começou a compor Haikai – menor poema de origem japonesa formado por 12 sons poéticos – em língua japonesa” explica o filho, Otoniel, casado com a Catarina, com quem a Hisako mora, em Parintins.
Abaixo veja os Haikais da Hisako (com tradução literal):
二階の窓に西日が燃えて居り(Nikaino madoni nishibiga moeteori)
O sol da tarde estava queimando na janela do segundo andar
アマゾンの大河に西日凪ぎ渡る(Amazon no taigani nishibi naguiwataru)
O sol poente desliza tranquilo pelo grande rio Amazonas
Foto: Hisako e o filho Otoniel, em sua residencia

Outro descendente de imigrante japonês longevo é o Homero Hisashi Hidaka. Hoje com 81 anos, nascido em Parintins.
O que é Koutakuseis?
Koutaku é a abreviatura do Kokushikan Koutou Takuhsoku Gakko, ou seja, a Escola de Superior de Colonização de Kokushikan e Koutakusei é a denomiminação dada aos estudantes dessa escola ou os que estudaram lá que foram enviados para Amazônia a fim de colonizar a região e desenvolver a agricultura. A sua primeira turma formada por 43 pessoas, sendo 35 graduados, sete técnicos e um instrutor chegou a Parintins em 1931. Posteriormente, as demais turmas.




