Maués – A terra da primeira leva de imigrantes japoneses no Amazonas

Divulgação da cultura e língua nipônica em Maués: como era e como se encontra hoje?

Divulgação da cultura e língua nipônica

Nobumi Sakiyama, hoje com 89 anos, estava trabalhando em sua oficina mecânica/elétrica quando recebeu a comitiva de reportagem. Nascido em Maués, partiu daquela cidade na década de 50 rumo à São Paulo. Lá trabalhou em uma empresa japonesa e concluiu os estudos em Engenharia, retornando à sua terra natal por volta de 1980. Tem quatro filhos. Assim como seu pai Shinobu Sakiyama, foi professor da língua japonesa, sendo precursor no ensino dessa língua em Maués e desta forma, para ele foi natural seguir seu pai e ensinar a lingua e cultura nipônica aos descententes de japoneses em Maués. A família Sakiyama contribuiu sobremaneira no cultivo e comércio da juta e guaraná, entre outros.

Nobumi Sakiyama em sua oficina

Com os transcorrer dos anos, as atividades culturais daquela comunidade teve uma determinada lacuna e recentemene volltou a retomar e reorganizar-se. Como em demais municípios, existe em Maués a Associalção Nipo-Brasileira de Maués que foi fundada em 27 de novenbro de 2023, tendo a eleição da nova diretoria no ano passado, quando o presidente Amilton foi reeleito e alguns membros da diretoria também permanecem. São 12 cargos no total, incluindo um presidente, três conselheiros, diretores de assuntos educacionais, saúde e eventos, entre outros.

A diretoria e sua força jovem realizaram em 2025 o primeiro Tyouju Matsuri tendo sido sucesso de público e recentemente, no último 06 de junho aconteceu a sua segunda edição, com mais atrações.

O presidente Amilton Eno é da terceira geração (Sansei) de japonês e seu avô, Tetsuro, chegou em 1929 no Rio casado com Miya e posteriormente em 1930 em Maués – ou seja a família fez parte da primeira leva de imigrantes japoneses ao estado do Amazonas. A família Eno trabalhou na cultura da juta e posteriormente na de guaraná, entre outros. O casal teve seis filhos. A Miya teve dificuldades em aprender o português mas aperfeiçoou em corte e costura produzindo para as pessoas de influência da cidade. “Um dos nossos maiores desafios é a localização de Maués, que fica distante dos grandes centros, dificultando e encarecendo a participação em cursos, treinamentos, eventos e a vinda de instrutores para o município. Além da falta de sede própria por ser ainda recente e isso acaba sendo um fator limitante, pois dificulta a realização de atividades”, explana Amilton sobre as atividades da Associação Nipo-Bras. Maués.

“Apesar de a Associação ser nova, tivemos uma adesão muito positiva de voluntários, o que nos deixou muito gratos e até surpresos e estamos avançando, como o acolhimento de parceiro, no curso intensivo de língua japonesa, e surgindo novos projetos”, conclui o presidente, otimista.

Foto Divulgação: Comunidade nipo-brasileira de Maués

Pela primeira vez nos últimos tempos, a representante de Maués se consagrou no concurso de beleza Miss Nikkey e representará o estado de Amazonas no certame nacional, em São Paulo. O nome da Miss é Rebeca Mie Iimori. Ela é fiha do saudoso Yoshiharu Imori, japonês nascido na província de Nagasaki, sul do Japão, que chegou a Maués em dezembro de 1964 e chegou a morar em diversos locais tais como São Paulo, Belém (PA), Mato Grosso, Acre e Maranhão, até fixar residência em Maués e ficou conhecido como Sr. Jhonny – por ser mais fácil de pronunciar.

Em janeiro do corrente ano, a Keiko Kuriyama e Miho Neo, além da professora Helen Tomioka, que ministra aulas de língua japonesa em Maués, participaram do curso intensivo de língua japonesa em Manaus (AM), a fim de aprimorar o curso dessa língua naquele município e fortalecer o intercâmbio nipo-brasileiro.

Helen, Keiko e Miho em reunião com o cônsul Aizawa do Japão em Manaus

Maués, distante 267 km de Manaus e população estimada m 65 mil habitantes, é o municipio detentor do título de “Capital Nacional do Guaraná” e também é o municiipio que recebeu a primeira leva de imigrantes japoneses, em 1930.

Rosa Kamada

Rosa Kamada

Rosa Kamada é brasileira, “papa-chibé” e descendente de japoneses, graduou-se em Arquitetura e Urbanismo e Comunicação Social – Jornalismo e concluiu o curso de Mestrado em Engenharia Ambiental na Universidade de Osaka, Japão. Tem como hobby fotografar e viagem, assim como leitura e escrita, colabora com as imprensas local, nacional e internacional, produzindo matérias jornalísticas e reportagens publicadas em revistas do eixo Rio–São Paulo e no Japão. Atuou também como correspondente do jornal de São Paulo (SP).
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