“O pessoal do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) veio até Maués checar as idades dos beneficiados e efetuar a “prova de vida”, pois aqui o número de idosos é muito grande. A inspeção acontreceu antes da pandemia do coronavirus”, finaliza Amilton Neo, presidente da Associação Nipo-Brasileira de Maués.
Maués – Quais os segredos da longevidade?

Município com alto indice de pessoas de idade avançada

Sumiko Koide e os filhos Francisco Koide e Maria Koide da Silva
“Eu tomo um copo de guaraná todos os dias”, exclama Sumiko Koide, com 90 anos, sobre o segredo da sua saúde. Ela conversa, ouve e interage, sempre sorridente. Sumiko é da segunda geração de japoneses e nasceu em Maués (AM). Seu pai, Ichiro Koide, era natural da província de Miyagi (região nordeste do Japão) e imigrou ao Brasil aos 18 anos, acompanhando o seu primo. Os pais da Sumiko tiveram sete filhos. A família cultivou juta, castanha, guaraná, entre outros, tudo em Maués. A Sumiko também é de familia numerosa pois teve dez filhos e conta hoje com 25 bisnetos. Além de tomar um copo de guaraná puro misturado na água todos os dias, ela também cuida de sua horta onde produz pepino, cebolinha e maxixe que vão para mesa da casa. E mais, caminha até uma pequena venda e não come frituras nem gorduras. Revelou ela e os familiares, sobre os segredos da sua longevidade e com saúde.

Sumiko com sua horta
Simão Kuriyama é filho de um dos precursores de máquina para facilitar/utilizar na fabricação do guaraná. “Meu pai desenhou a máquina para usar na fabricação de guaraná e foi entregue ao Dr. Oishi que levou para São Paulo, encomendou e trouxe pronto para Maués” explica Simão. Ele nasceu em Maués e hoje soma seus 83 anos. Seu pai, Yaichi, era japonês natural da província de Shizuoka (Japão) e teve seis filhos. Simão também tem seis filhos, 12 netos e uma bisneta. Segundo relatos, Dr. Oishi era médico que cuidava dos moradores da comunidade, inclusive nipo-brasileira e andava pelas ruas com o seu jaleco e sem parentes em Maués, faleceu na década de 80 e foi sepultado no mesmo município. Simão trabahou em diversos setores como comércio e agricultura inclusive na produção do guaraná.

Simão Kuriyama lembra da trajetória de sua família.
Outra descendente nipônica, Elizabeth Yamane, filha de Massao Yamane e neta de Buichi Yamane, explica: “meu avô Buichi foi um dos pionerios do grupo denominado “ Amazon Kudari” ou “Peru Kudari” – os imigrantes japoneses que chegaram à Amazônia atravessando o Peru. O japonês Buichi, nascido em Hiroshima, em 1890, após chegar no Peru, partiu daquele país em 1909 chegando à terra amazônica de Porto Velho (RO), em 1912. A família Yamane trabalhou primeiramente nas plantações de verduras e posteriromente começou a cultivar guaraná, em Maués. “Também tínhamos o barco Yamane para passageiros, que trabalhou por cerca de 15 anos, onde inclusive meu pai Massao tambén fez parte da tripulação. Ele faleceu aos 85 anos”, complementa Elizabeth. Massao teve sete filhos e 17 netos.

Elizabeth Yamané Dinelli, Paulo Darque Dinelli e Elizeth Yamané

Foto – acervo da família Yamane: barco Yamane II no porto
O saudoso Yoshiharu Imori, 86 anos, era japonês nascido na província de Nagasaki, sul do Japão, chegou em Maués em dezembro de 1964 e nunca mais saiu da cidade. Trabalhou no comércio/exportação do guaraná, inclusive foi precursor na abertura do comércio exterior do guaraná ao Japão. Sua família também é numerosa, pois são 11 filhos. Com a colaboração dos pesquisadores japoneses, realizou diversas pesquisas sobre os benefícios de produtos naturais como madeira de lei, pau rosa e outros incluindo o guaraná, contribuindo ao desenvolvimento local.

Yoshiharu Imori no final de ano de 2025
“O pessoal do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) veio até Maués checar as idades dos beneficiados e efetuar a “prova de vida”, pois aqui o número de idosos é muito grande. A inspeção acontreceu antes da pandemia do coronavirus”, finaliza Amilton Neo, presidente da Associação Nipo-Brasileira de Maués.
Toda família tem em sua casa o seu guaraná em pó de todo dia!
Maués, distante 267 km de Manaus e população estimada em 65 mil habitantes, é o municipio detentor do título de “Capital Nacional do Guaraná” e também é o municiipio que recebeu a primeira leva de imigrantes japoneses, em 1930.




